Módulo VLT para região dos subúrbios da Zona Oeste (Jardim Sulacap e bairros adjacentes)

por
Edgar Ramos
Edgar Ramos | Mar 5, 2015 | em Mobilidade Urbana

Primeiramente gostaria de explicar que este projeto é parte da minha dissertação de mestrado em geografia humana (ordenamento do território e desenvolvimento) que será apresentada ainda em 2015 pela Universidade de Coimbra, Portugal.

Por ser nascido e criado em Jardim Sulacap e por ter vivido quase minha vida toda em bairros menos favorecidos em relação as políticas públicas, principalmente referentes a mobilidade urbana, resolvi que este seria um tema muito importante para os meus estudos, principalmente por eu ser geógrafo e trabalhar em pesquisas na área da geografia urbana a alguns anos.

Minha proposta visa articular uma região do subúrbio que conta com um transporte público coletivo precário e ineficiente desde seu nascimento. Com objetivos claros e simples de levarem nós, trabalhadores, para nossos empregos nas centralidades da urbe (Centro e atualmente, Barra da Tijuca) e o módulo é somente o ônibus. Esse modelo de transporte público, acaba por não permitir que as pessoas que muitas vezes moram em bairros vizinhos (a menos de 2, 3 quilômetros) de distância, fiquem impossibilitadas de, através de apenas um transporte público, possam visitar amigos/parentes, ou ir à um hospital, ou à escola, shopping, áreas de lazer em geral. Sem contar que os ônibus da cidade e principalmente desta região, não possuem horários fixos e satisfatórios, a qualidade dos carros é péssima, as linhas são ineficientes e não atendem o deslocamento entre os bairros etc. 

Sendo assim, o que vos apresento neste projeto, é um módulo de Veículo Leve sobre Trilho, que permita a partir de consultas públicas, a criação de linhas erradiadas de Jardim Sulacap, para tender a mais de 15 bairros adjacentes entre si, permitindo que as redes de saúde, educação e lazer, assim como também as redes comerciais e de serviços, sejam conectadas e favoreçam o desenvolvimento local, ao contrário das obras que vem sendo feitas, que apenas servem para atender as centralidades da cidade e não ajudam em nada (inclusive atrapalham), a vida dos bairros suburbanos.

Em um primeiro momento, foram elaborados por mim 8 linhas principais. Seus trajetos seriam relativamente curtos para respeitar o modal utlizado (VLT) e o compartilhamento de vias com os demais modais, principalmente o rodoviário. Suas estações haveriam de ser escolhidas com consulta as populações que serão atendidas pelo serviço, assim como seus trajetos dentro das limitações técnicas do projeto!

Este projeto é sem dúvidas, um caminho sustentável e de real significância no que pensam as cidades do presente de países que se preocupam na prática com o desenvolvimento consciente voltado para o social e o local de seus territórios. Espero contar com a ajuda de todos, obrigado!

Henrique Brum Mar 5, 2015

Muito interessante a ideia, mas você não acha que alguma conexão com Cascadura e/ou Madureira se faz necessária? Abraço!

 

Edgar Ramos Mar 5, 2015

Olá amigo! Madureira/Cascadura são subcentros da cidade, demandam outro tipo de articulação e propostas para a região, assim como Bangu, que seria o nosso outro subcentro em questão! Sem contar que ir até a estação de Oswaldo Cruz, permite que essa integração seja uma realidade! =)

Henrique Brum Mar 5, 2015

Entendi, de fato seu comentário procede. Abraço!

Jaime Colorado Mar 5, 2015

Para Madureira / Cascadura foram colocadas duas ideias que articulam por BRT:

Transintendente (Rafael):

https://desafioagorario.crowdicity.com/post/88386

Transuburbana (minha):

https://desafioagorario.crowdicity.com/post/88494

 

Edgar Ramos Mar 5, 2015

Não acho que o BRT seja uma solução viável para o nosso problema de mobilidade! Mas esses dois projetos citados pelo Bolanhos são interessantes e "complementares" ao meu e como estamos tratando de Rio de Janeiro, temos que adequar os modais mesmo e tanto na Av. Suburbana (Dom bla bla bla) como na Intendente Magalhães (simbolo máximo do modelo rodoviarista precário da cidade) serveriam muito bem mesmo! =)

 

Rafael Moreira Furtado Mar 5, 2015

Acho que nem chga a ser uma questão de viabilidade, e sim de adequabilidade às características do local e à finalidade que se pretende dar ao local.

Por exemplo: para curtas distâncias (até 10 km) em áreas com grande adensamento, acredito que um sistema de VLT seja o mais adequado.

Se a proposta é complementar um eixo de transporte de grande capacidade, atendendo regiões que estejam fora desse eixo, e tendo percursos superiores a 10 km, acredito que pode ser usado um BRT.

Aí entram outros fatores como tipo de vias, quantidade de desapropriações, etc.

Enfim, cada caso um caso.

Jaime Colorado Mar 5, 2015

É isto aí.

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Rafael Moreira Furtado Mar 5, 2015

Me chamou a atenção a radialidade de sua proposta.

A principal função do VLT, na minha opinião, é prover mobilidade urbana a nível local e atuar como indutor do desenvolvimento urbano a um nível mais micro - como o modal sobre trilhos sempre fez ao longo de toda a história. E sua proposta vai de encontro a isso.

A idéia de conectar a Boiúna é excelente, por ser uma área afastada dos principais eixos de transporte coletivo.

Quanto à Vila Militar, creio que por ser uma área de baixa densidade e baixo fluxo de veículos, creio não haver necessidade de VLT por ali, com os ônibus municipais atendendo a demanda. 

Porém, se houver algum dia um plano da Prefeitura de ocupação da região, possa ser necessário um VLT.

Somente precisaríamos ver a densidade habitacional da área de abrangência de sua proposta, suas principais áreas de concentração comercial e os principais fluxos.

Lhe recomendo olhar os relatórios técnicos no site do PDTU: http://www.rj.gov.br/web/setrans/exibeconteudo?article-id=626280

Recomendo também olhar a sinopse por setores censitários do IBGE: http://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopseporsetores/

Assim você terá um embasamento melhor.

Edgar Ramos Mar 5, 2015

Então mestre Rafael, por isso eu te elogiei nos comentários! Seus mapas são de extrema importancia nesse tipo de propostas! Mas infelizmente o ArcGis (software) que utlizo para fazer, não está me possibilitando criar os mapas que você criou! Por favor, me ajuda nessas elaborações, inclusive posso lhe pagar caso queira/precise de remuneração por hora! Mas preciso mesmo fazer os mapas que você elaborou para a sua proposta! Em relação a radialidade, ela busca criar toda uma região que já é dinâmica, mas não se olharmos pela lógica do transporte público! (Há)braços! =)

Amanda Nakao Mar 6, 2015

Ótimo e esperançoso projeto! Direito para todos! (=

alvinho Mar 27, 2015

Importante projeto para Jardim Sulacap e região. Principalmente para conectar melhor as redes de educação e saúde, temos grandes hospitais, maternidades importantes, colégios importantes, até universidades, então, nada mais justo do que um transporte de ponta para a região se desenvolver.

Mário Pedro Mar 28, 2015

Projeto interessante, mas acho Sulacap  um bairro muito pequeno e pouca demanda para tantas linhas de vlts passando nessa área, Realengo e os da região de Jacarepaguá sim, mas acho difícil ter um projeto nessa região já que nesse mesmo ponto a Prefeitura está construindo a Transolímpica e as linhas de ônibus que aí passam se tornarão alimentadoras do BRT, como sabemos será uma via expressa e com pedágio, por isso tenho certeza que o Prefeito vai alegar isso e a máfia dos empresários de ônibus não vai querer um transporte concorrente com o BRT, acredito que um projeto desse tipo seria melhor implantado onde não está previsto um corredor do BRT e até mesmo Baixada, cairia como uma luva em Caxias e N.Iguaçu passando por S.João e B.Roxo que são regiões carentes de transporte público qualidade, mas as propostas não englobam a Baixada :(  

Edgar Ramos Apr 15, 2015

Olá amigo, obrigado pela sua consideração sobre meu projeto/proposta! Em relação ao tamanho reduzido do bairro de Jardim Sulacap, esse é um fator que não atribuo a potencialidade do projeto! Jardim Sulacap é um bairro central geograficamente ao analisarmos o mapa da cidade, sendo necessário apenas 5 ou 6 quilômetros de raio a partir deste bairro, para que possamos integrar 3 regiões administrativas diferentes, assim como bairros de duas zonas (Oeste e Norte) e também a integração com diversos modais de transporte da cidade, como os trens da Supervia e os ônibus do BRT! Isso sem comentar a centralidade em relação aos serviços, comércios e instituições que o bairro pode facilitar a vida neste encruzamento de linhas! Lembrando que o principal objetivo deste trabalho é justamente dar a oportunidade desta região "pequena" se desenvolver e seus moradores não precisarem se deslocar 10, 20, 30 ou mais quilômetros todos os dias para trabalharem ou na Barra da Tijuca, ou no próprio Centro do Rio/Zona Sul. E sobretudo, a oportunidade destes mais de um milhão de moradores, de serem atendidos pelas redes de saúde e educação que se encontram nestes bairros, como por exemplo, o Colégio Pedro II em Realengo, o IFRJ também em Realengo, os hospitais Carlos Chagas em Marechal Hermes, ou os do exército ou da aeronáutica, em Deodoro e no Campos dos Afonsos respectivamente, ou seja, a ideia é dinamizar e priorizar os moradores na criação deste modal de transporte, que por não ser de altíssima capacidade, facilitaria sua implementação em uma área que não fosse absurdamente densa, como ocorre já nas centralidades da nossa cidade. Seria uma experiência única, importante e que mostraria a essa "máfia dos empresários de ônibus" como você mesmo alega, que a cidade não precisa deles, eles que dependem da cidade, e neste sentido, a cidade não pode ser uma mina de dinheiro para uns e um caos cotidiano para outros! Temos que lutar por utopias sociais e ao acesso pluriversal as nossas potencialidades! Lembrando que os quatro eixos do PMSU são: Direito à cidade, Integração, Sustentabilidade e Qualidade de vida! Ou seja, este projeto, antes mesmo de saber destas diretrizes, já se preocupava com estes quatro eixos como eixos centrais e norteadores de qualquer política pública em mobilidade urbana que venha ser introduzida na nossa cidade e principalmente, na nossa região suburbana! Obrigado! =)

Ágora Rio Apr 2, 2015

This idea has been advanced to the next phase

Secretaria Municipal de Transportes Secretaria Municipal de Transportes Apr 2, 2015

Os projetos de mobilidade executados trarão benefícios que se estenderão pelas próximas décadas e proporcionarão melhor qualidade de vida a milhões de pessoas. É importante lembrar que até 2009, a cidade tinha 18% de seus habitantes atendidos por transporte de massa – restritos a trens e metrô. A rede de alta capacidade que combina corredores exclusivos de ônibus articulados (Bus Rapid Transit – BRT), Veículo Leve sobre Trilhos (VLT Carioca), as barcas e a expansão do metrô, em parceria com o Governo do Estado, levará os transportes de alta capacidade a 63% dos habitantes do Rio.

 

Essa mudança fará com que 107 dos 160 bairros da cidade estejam incluídos na área coberta por transporte de massa, com 2,5 milhões de habitantes tendo linhas e estações dessa categoria a até 500 metros de suas residências.

 

Dentre estas obras, cabe destacar: BRT TransOeste, BRT Transcarioca, BRT TransOlímpica, BRT TransBrasil, Linha 4 do Metrô, VLT no centro, além das obras contra as enchentes (piscinões), da duplicação do elevado do Joá e, sobretudo, das obras de revitalização da Zona Portuária, incluindo a demolição da Perimetral. 

 

A Zona Oeste, que hoje já conta com o corredor BRT TransOeste. Inaugurado em junho de 2012, esse corredor inaugurou o sistema no Rio e representou o início da rotina de cerca de 180 mil passageiros com o transporte de alta capacidade. Com 58 km de extensão no projeto final, a TransOeste liga a Barra da Tijuca a Santa Cruz e Campo Grande e é a forma mais rápida de transitar pela região onde o Rio mais cresce. Pelas canaletas dos coletivos articulados, o tempo de viagem de ponta a ponta foi reduzido a menos da metade – o trajeto que antes era de 1h30 e agora é feito em 40 minutos.

 

O investimento de R$ 1 bilhão na TransOeste promoveu uma transformação radical na Zona Oeste do Rio. Com a concentração do fluxo de passageiros no BRT, foram retirados de circulação 250 ônibus, que antes passavam pelas pistas compartilhadas com os demais veículos. O primeiro trecho, entre o Terminal Alvorada, na Barra, e Santa Cruz e Campo Grande.

 

O último trecho, de 6 km, a ser entregue em 2016, vai ligar os terminais Alvorada e Jardim Oceânico, onde haverá a conexão do BRT com a Linha 4 do Metrô. A previsão é de que nessa fase a redução dos tempos de viagem alcance 70%, com 230 mil passageiros por dia.

 

A concepção da TransOeste considerou, além do sistema BRT, o benefício para todos os demais modais de transporte, a fim de facilitar o deslocamento da população dos bairros da região de Guaratiba – o primeiro a atravessar o Maciço da Pedra Branca, na Zona Oeste. A obra estava prevista há décadas, mas sempre foi relegada a segundo plano nos projetos do município. Com a construção, em 2012, das duas galerias de 1.100 metros de extensão, entre a Estrada do Pontal e o Canal do Rio Portinho, uma viagem que antes consumia 1h40 passou a ser feita em menos de 1 minuto.

 

Quanto à sugestão encaminhada, ela é muito bem-vinda e será repassada às áreas de planejamento. Contudo, a Secretaria Municipal de Transportes informa, que, nesse momento, não há previsão de expandir o serviço do VLT além da região central da cidade.

Mariana Apr 4, 2015

Gostaria de lembrar que BRT e VLT não são transportes de alta capacidade e sim de baixa/média capacidade, transporte de massa é trem e metrô.

Edgar Ramos Apr 15, 2015

Olá representante da prefeitura que respondeu através de uma propaganda de governo e com sutileza expôs a sua preocupação em manter o descaso com as regiões suburbanas em relação a inovações para uma cidade do futuro! É uma pena que as melhorias previstas e já realizadas para as zonas Oeste e Norte, servem apenas para aumentar ainda mais nossas desigualdades e possibilitar o enriquecimento de proprietários de terras das regiões da Barra da Tijuca, Recreio e demais bairros em "franca expansão" através destes investimentos PÚBLICOS/privados! A preocupação deste trabalho é justamente a preocupação descrita pelo Plano de Mobilidade urbana Sustentável (PMUS) que conta com quatro eixos de análise: Direito à cidade, Integração, Sustentabilidade e Qualidade de vida! Se analisarmos os projetos que vocês aqui propagandeiam como em um programa eleitoral, estes eixos não são respeitados, nem sequer, foram base para elaboração destes! Não precisávamos de viadutos e uma via expressa (com pedágio) para nos conectarmos com a Barra da Tijuca, assim como PRECISÁVAMOS do nosso ônibus (antigo 754 Jardim Sulacap - Barra da Tijuca) que antes de todas estas transformações, levavam-nos até ao posto 1 da Barra da Tijuca sem nenhum baldeação, hoje em dia, com todas essas "melhorias" propagandeadas, os moradores da Jardim Sulacap e demais bairros vizinhos, tem que pegar TRÊS diferentes ônibus para chegar ao mesmo destino! Que melhoria é essa? Não consigo entender e nem perceber! Nunca houve transporte público entre bairros que situam-se a menos de 5 quilômetros de distância, como Jardim Sulacap - Praça Seca / Marechal Hermes / Boiuna, a não ser quando existia uma linha que nos levava para o Centro e ocasionalmente passasse por estes bairros, sendo o tempo de espera absurdo e totalmente insensato realizar a espera, já que o destino se encontra a poucos quilômetros de distância! Essas populações não precisam de conexão com centros, precisam que seus bairros sejam protagonistas da história do Rio, precisam que suas escolas referências, seus hospitais, suas maternidades, seus MUSEUS E TEATROS, sejam referência de inovação, produção, e não que sejamos sempre expulsos de nossos bairros para trabalhar cotidianamente em bairros que recebem a maioria dos projetos público e/ou privados que perpetuam lógicas contraditórias e segregacionais de (re)produção do territórios carioca! Considerem minha proposta como uma resistência e estes entraves que não são técnicos, não são econômicos, e tampouco políticos! São entraves históricos e sociais! Assim como em 1914, o bairro de Marechal Hermes era protagonista em questões urbanas para nossa cidade na altura (a Zona Sul nem sonhava em existir, a Barra da Tijuca nem se fala), em 2015, podiamos retomar estas possibilidades, ao invés de perpetuarmos por um século, a degradação destes bairros em detrimento de outros! Espero que, quando existir a previsão de expansão dos serviços de VLT desta cidade tão maravilhosa, estes não sejam projetos que ajudam a perpetuar nosso fim e subordinação dos subúrbios historicamente negligenciados, como por exemplo, a criação de modais VLT pela Zona Sul, anteriomente de projetos como este aqui citados e criados para o levante de áreas que precisam se dinamizar para que não sejamos para sempre dependentes de outros! Eu quero o VLT no subúrbio!!!!!

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