Nova licitação do sistema de ônibus do Rio

por
Marcelo Santos
Marcelo Santos | Mar 1, 2015 | em Mobilidade Urbana

Na ótica do serviço ao cidadão, a licitação do serviço de ônibus em 2010 foi um desastre. O serviço é tão ruim quanto antes da licitação, com uma frota de ônibus novos mas tecnologicamente arcaicos conduzidos por profissionais mal e parcamente treinados para desempenhar suas funções. Estão aí os risíveis rankings da prefeitura para demonstrar o fracasso.

A idéia é licitar novamente o sistema baseado na necessidade de acabar com o serviço lamentável oferecido. E, nessa próxima vez, dentre outras medidas cruciais, a prefeitura deve desapropriar as garagens de ônibus das empresas para garantir concorrência de verdade e não repetir a história vexaminosa do cartel. Não dá para entrar nesse negócio sem um pátio de estacionamento, como a prefeitura sabia muito bem desde a confecção do edital. Com verdadeira concorrência abre-se espaço para que operadores brasileiros e estrangeiros possam participar e arejar esse triste sistema que vigora no Rio.

Felipe Mendes Mar 3, 2015

O transporte é ruim. Concordo. Aí você me pede mais estado? Desapropriar? Tu votou no Hadad em SP, só pode.

Marcelo Santos Mar 3, 2015

Non sequitur.

Como você alegadamente é estudante de adm pública, deve ou deveria ter passado por direito administrativo e direito econômico. Está no sétimo período? Não deixe terminar o oitavo sem passar por isso. A desapropriação seria para melhorar o processo de concorrência, aumentando a chance dos entrantes na competição com os estabelecidos.

"Mais estado"...Numa possível próxima vez, sugiro ler apenas o que está escrito.

Felipe Mendes Mar 3, 2015

Filho, não interessa em qual periodo estou. Uma coisa é certa: devemos respeitar a liberdade a propriedade privada. O que você quer: mais estado sim. Quer que o estado desaproprie as garagens e ceda para os amigos. Você crê que governantes devem ser pessoas santas, mas não são. Se a concorrencia aqui anda pouca, não culpe falta de garagens ou andou fazendo curso com o Hadad Suvinil? As liberdades e o direito à propriedade privada devem ser respeitadas, mas o pessoal continua querendo que o governo resolva tudo. :) 

A concorrencia quem faz é omercado e não o estado. Ele protege os amigos, pq um monte de leis ajudam ;)

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Felipe Mendes Mar 3, 2015

Filho, não interessa em qual periodo estou. Uma coisa é certa: devemos respeitar a liberdade a propriedade privada. O que você quer: mais estado sim. Quer que o estado desaproprie as garagens e ceda para os amigos. Você crê que governantes devem ser pessoas santas, mas não são. Se a concorrencia aqui anda pouca, não culpe falta de garagens ou andou fazendo curso com o Hadad Suvinil? As liberdades e o direito à propriedade privada devem ser respeitadas, mas o pessoal continua querendo que o governo resolva tudo. :) 

Marcelo Santos Mar 3, 2015

Zzzzzz......hum? Muito bom, muito bom.

Agora faz um desenho beeeeeeem bonito pro tio....

zzzzzz......

 

Felipe Mendes Mar 3, 2015

Com tanto esquerdoso intervencionista como você, nunca o Brasil será um país desenvolvido. O seu deboche já disse tudo sobre você. ;)

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João Pedro Maya Mar 4, 2015

Apoio a idéia de relicitar o serviço de onibus urbanos no Rio, até para quebrar o cartel existente e quem sabe trazer até operadores de outros estados, estrangeiros, como por exemplo o Governo fez com os aeroportos e Terminais de Uso Privado (TUPs).

Não vou entrar na disucssão pueril dos Srs, mas não sei se desapropriar as garagens é o fator preponderante que vá gerar mais eficiencia na prestação deste serviço. O que eu sei é que para que a nova licitação tenha mais sucesso na atração de novos players para o RJ, talvez é necessário observar quais fatores levam hoje um serviço de péssima qualidade ter tantas barreiras a entrada de novos entrantes (tirando a questão da máfia na Prefeitura e do cartel).

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Marcelo Santos Mar 4, 2015

Gpto, você não atrairá mais concorrentes sem as garagens. Você acertou: a posse de garagens é, sim, uma barreira à entrada de novos concorrentes. E foi o que aconteceu: como podem concorrentes de fora ser bem sucedidos sem a posse de garagens? Onde vão estacionar os ônibus e fazer a manutenção? Fora do Rio? Isso seria um custo que as empresas já estabelecidas não teriam. Não surpreendentemente, foram elas que ganharam. E, estranhamente, ninguém na prefeitura atentou para aquilo. Um povo distraído, digamos assim.

Com a desapropriação, permite-se o uso das garagens pelas empresas que ganharam a concessão pelo mesmo prazo. Expirado o prazo, devolve-se os terrenos à prefeitura e faz-se uma nova licitação.

Sem desapropriação, é necessário que a prefeitura garanta um terreno que possa servir a essas empresas. Caso contrário, serão as mesmas de sempre.

Tenho todas as reservas do mundo quanto aos operadores do serviço de ônibus, mas o problema é que esse serviço é ou devia ser um "monopólio natural", um conceito bem manjado em Economia Industrial, onde a maximização da eficiência ocorre quando há apenas um operador (pense, por exemplo, em ter mais de um fornecedor de gás até a sua casa; tente imaginar o inferno que seriam as tubulações enterradas e duplicadas pelas ruas). Mais eficiente ainda seria um monopólio natural integrando todo o transporte urbano, com metrô, trens, barcas, etc. Nenhum modo faria concorrência com outro modo, motoristas não fariam corrida entre si e haveria muito menos sobreposição de trajetos.

A quem caberia o exercício desse monopólio natural? Normalmente, ao Estado, como acontece nas cidades européias, por exemplo. Nada impede que seja um outro ente, como a CEG, no caso do fornecimento de gás. Mas aí a regulação tem que ser muito bem feita, coisa difícil de acontecer no Brasil. Teoricamente, a prefeitura faz a regulação dos ônibus. Os resultados todos nós conhecemos.

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João Pedro Maya Mar 4, 2015

Sou economista de formação e atuo com gestão de projetos. Podemos pular toda a conversa sobre teoria economica rs.

Continuo não achando importante o fator "garagens" quando se trata de reconduzir uma nova licitação para o serviço de onibus do RJ. Veja bem, não estou discordando de você: realmente este é uma grande barreira a entrada para novos entrantes. Novos operadores nacionais ou estrangeiros podem bem se instalar no Rio alugando ou comprando terrenos vazios/ociosos sem problemas!

Se queremos competição, ganhos de eficiencia e preço justo temos que pensar em uma situação de concorrência perfeita:

O produto já é homogeneo (serviço prestado é um só) e não pode haver grandes barreiras a entrada de novos entrantes.

Por experiencia própria em projetos, gosto de partir logo para ideias práticas e tentar fazer com que esta proposta consiga vencer as etapas e chegar a virar realidade. Penso muito na atuação do Metrô/trem e das Barcas aqui no RJ, onde o Estado é quem compra o ativo e ele concede a iniciativa privada operar. Temos que mudar o modelo regulatório que vigora hoje para o transporte urbano e diminuir as empresas de onibus a meras operadoras neste sistema.

Desta forma, já eliminamos distorções como um grupo dono de um consórcio também fornecer onibus para toda a frota. Ou então não comprarem onibus com motro traseiro, ar condicionado e piso baixo. Tirando esta incumbência dos consórcios já avançamos no quesito "planilha de custos" das empresas de onibus, que hoje é uma caixa preta. A depreciação do material rodante é de 5 anos, por ex. Após este prazo não há nenhum impacto na tarifa.

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Marcelo Santos Mar 4, 2015

Economista? Ótimo. Podemos esquecer a TE.

Se você concorda que garagem é uma barreira à entrada, penso que você subestima os custos associados à aquisição de uma. Por hipótese, imagine que a região a ser atendida esteja no Caju, ou na Ilha do Governador ou no Flamengo, e o único lugar com condições ótimas de operar uma garagem esteja em Santa Cruz ou Sepetiba. Olhe só a distância. O ônibus quebrou? Tem que voltar para a garagem, que fica logo ali no final da cidade (ou no começo, depende do ponto de vista). Num processo bem licitado, se o ônibus quebra isso não é problema do passageiro; o que interessa é que às 12h47 algum veículo tem que passar em determinado ponto, como previsto em contrato. É longe? Tá engarrafado? Dane-se: o veículo tem que passar na hora, sob pena de multa (de verdade, não dessas que a prefeitura passa na Rioonibus). Pense na estrutura que o concessionário terá que manter para resolver problemas como esse sem ter uma garagem próxima. Enquanto isso, a Transportes São Silvestre opera efetivamente na Zona Sul do Rio de Janeiro e tem suas facilities logo ali na Providência, do lado da saída do Santa Bárbara. Ainda pode escapar pelo Aterro do Flamengo ou, melhor ainda, pelo Rebouças.

Diz aí: como concorrer com os custos da São Silvestre numa licitação?

Mais uma: olhar para a realidade imobiliária de 2015, em meio a uma crise econômica, é uma coisa.  Outra bem diferente era a realidade imobiliária do Rio em 2010 quando a licitação foi feita, com o Rio de Janeiro na moda por conta dos Jogos e os preços perdendo qualquer razoabilidade. O herói que acreditou e comprou o terreno deve olhar para seu custo de oportunidade e sentir-se um mártir.

Agora, sua ideia de mudar o modelo regulatório... Como economista, deve saber como isso é incrivelmente difícil e envolve muita política e grana. Neste exato momento, não consigo lembrar de um só serviço regulado pelo Estado que funcione. A captura é braba. E ali na SMTR, na melhor das hipóteses, só há gente “distraída” em relação ao desserviço de ônibus. Na mais realista, foram capturados por quem deviam regular. Metade das ideias que tenho visto aqui no desafio são coisas que já podiam estar em vigor, exercesse a prefeitura a devida regulação. Piso baixo? Motor traseiro? Ar condicionado? Se já estivesse previsto lá em 2010, ninguém estaria precisando falar disso agora. Mas, sabe como é, o pessoal é meio... distraído.

A mais benéfica das possibilidades: a prefeitura devia ter entregue algo aos concessionários – legalmente, previsto em contrato - e não entregou. Daí, fica com as mãos atadas na hora de regular. É o que acontece com a Supervia, que por contrato devia ter recebido ativos do Estado e só nos últimos anos está recebendo. Daí, quando o trem bicha e ferra a vida de milhares o estado fica sem moral para punir. Esta situação é bem sabida, mas no caso da prefeitura não imagino o que seria. Fico com a hipótese de captura.

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João Pedro Maya Mar 9, 2015

Entendi seu argumento e acho que você tem razão com relação a este item das garagens e sua localização estratégica.

Quando penso em relicitar o sistema de transporte públuco de onibus do RJ vou lhe ser sincero: penso em tantos itens falhos que realmente nunca atinei para esta questão. Acho que o que fica evidente, olhando nosso debate, é que este serviço é prestado de uma forma péssima a população carioca e o que mais sobram são sugestões de melhorias e itens a serem revistos (garagens, tipo do chassi dos onibus, itens de qualidade etc) para a próxima licitação.

Vamos pedir votos para que a sua idéia passe para a próxima fase. abs!

Marcelo Santos Mar 9, 2015

Tranquilo, gpto. Essa ideia é só para fazer barulho porque as pessoas no Brasil tem pouca ideia da importancia de redigir bem uma licitação e menos ainda da importancia da competição. Todo mundo baba quando vê os preços dos produtos e bens comercializados nos Estados Unidos e poucos atentam para o fundamento adjacente: competição, e das intensas, para quase tudo.

A chance da prefeitura relicitar? Eu sei: zero, embora ainda hoje poderia ser feito porque o serviço é indescritivelmente ruim. Ano que vem tem eleição; não vão criar caso com potenciais doadores de campanha.

E eu já desencanei. Há tantas ideias boas propostas neste desafio de mobilidade urbana que já vi que não acrescento muito; posso então fazer outras coisas. Torço para que aquela sua ideia da PPP para iluminação pública chegue lá e que, quando chegar, a prefeitura não ponha algum obstáculo intransponível.

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Felipe Mendes Mar 4, 2015

Vocês estão sugerindo: Prefeitura, desaproprie as garagens. Vai rolar DinDin. Ok. Muitas das empresas são pertencentes a outras maiores. Imagine, se vocês estarão apoiando a concorrência desta forma. Hoho. Imaginem, e se houvesse pool? Duas ou três empresas numa mesma linha? "Olha, vou esperar o da empresa X pq tem Wi-Fi e ar geladinho :)" O que falta é livre mercado, isso falta. O que ocorre é um cartel safado, bem péssimo, vacilão. Entrar nesse ramo requer dinheiro. Muito. Mas vejo tantos terrenos para serem alugados, ou vocês não veem? 

Teoricamente o estado regula tudo no Brasil e nada funciona. Não vejo solução melhor que: -Livre concorrência, menos intervenção e aí por diante. Os senhores vão fiscalizar quem vai ficar com a garagem melhor localizada? Não né? Então. Pensem, o governo, o estado, aumenta, e a instisfação de todos também. Sobre o monopolio natural, isso vem caindo em alguns países no que se tange a energia elétrica. Em outros casos acho dificil. Mas reclamar do estado, pedindo mais intervenção do estado é tenso. Abraço.

Leonardo Cazes Mar 27, 2015

Bom, tentando fugir do debate raso mais Estado/menos Estado (até porque SEMPRE há Estado, inclusive nos EUA, posso indicar uns livros para quem se interessar), o grande ponto é: o grande problema da licitação de 2010 é que ela seguiu um modelo de concessão, um descalabro em se tratando de transporte público. A prefeitura não sabe quantas, quais são e por onde passam as linhas que andam na cidade. Não sabe quanto de dinheiro passa pelo RioCard. Não sabe os custos das empresas. Enfim, não sabe nada.

O modelo mais razoável seria o seguinte: a prefeitura é responsável pela gestão e planejamento do sistema. A SMTR define o mapa viário, funcionamento da integração modal e tarifária, o modelo de ônibus a ser utilizado e controla a arrecadação. As empresas simplesmente vão operar linhas pré-determinadas pela prefeitura, sendo obrigadas a cumprir com metas de intervalos e números de ônibus em circulação. E serão remuneradas pela prestação do serviço. A possibilidade de desapropriar os terrenos das garagens é muito interessante para estimular a competição (capitalismo não é competição?). Aliás, só para reforçar desapropriação não é expropriação. Ou seja, quem é desapropriado recebe pelo valor do terreno desapropriado. Se não concordar, entra na Justiça. Simples assim.

João Pedro Maya Mar 30, 2015

Voltei com uma matéria interessante. Sei que aqui não é lugar para debates e sim para ação, mas acho importante um pouco de reflexão.

Não sei como aconteceu em SP, mas semana passada a Prefeitura reordenou o funcionamento da operação de transporte de ônibus urbano do município de SP. O contrato de concessão atual está próximo do vencimento.

Em SP vão desapropriar as garagens das atuais empresas e repassar as vencedoras da nova licitação, como o amigo azeitegallo já cantava aqui.

Outra iniciativa legal (Que eu já vi em alguma outra proposta aqui) é a "rede da madrugada": linhas de onibus que seguem o trajeto do metrô no horário em que ele não funciona.

 

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/0...ica-em-sp.shtml

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Marcelo Santos Apr 1, 2015

gpto, essa licitação porca que o Rio fez ainda vai nos atrasar por muito tempo. A CCR tá fingindo que quer devolver as barcas, mas não quer. A Odebrecht tá fingindo que quer devolver os trens, mas não quer. As famiglias que comandam a Riocaminhônibus nem fingem. Fecharam um tremendo negócio com o luxuoso auxílio dos distraídos da SMTR e quiçá dos procuradores da prefeitura. O resultado pode ser visto em qualquer ponto de ônibus da cidade.

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João Pedro Maya Apr 2, 2015

Sim, ela vai demorar bastante ainda. Rio do seu estilo ácido nos comentários para não chorar rs...

Aprendi bastante termos neste desafio que levarei comigo na minha marcha incessante e desconhecida por melhores serviços de transportes na minha amada cidade.

"Tapa buraco, ganha calombo" - refere-se ao trabalho de porco da Prefeitura ao recapear, tapar buracos nas ruas. Créditos ao Bolanhos

"Riocaminhônus" - Formidável

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