Fazer efetivamente a reurbanização do entorno da Transcarioca.

por
Jaime Colorado
Jaime Colorado | Feb 23, 2015 | em Mobilidade Urbana

Apesar de todas as declarações do Prefeito e da SMO:

" Posso dizer que esta obra é uma espécie de declaração de amor ao Rio de Janeiro. Seu subúrbio viveu mais de 49 anos de um abandono em alto grau. Quando entregamos a Transcarioca, não falamos apenas de mobilidade, mas da recuperação dos bairros do subúrbio carioca, que é a alma dessa cidade. O BRT vai permitir que o Rio de Janeiro se encontre e redescubra sua verdadeira identidade."

Eduardo Paes

Fonte: http://www.rio.rj.gov.br/web/guest/exibeconteudo?id=4756186

"Paes reforçou que a implantação será gradual e levará benefícios à população local. "Uma área inacessível, detonada, degradada da cidade foi transformado em um lugar onde a mobilidade está totalmente facilitada. Não se faz só a implantação das estações do BRT, faz drenagem, qualifica, faz calçadas, implanta praças, área de lazer", disse."

Fonte:http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/20...-com-dilma.html

" Em nota, a Secretaria municipal de Obras informou que a implantação do Parque Madureira reduziu em três graus a temperatura da região. De acordo com o órgão, a prefeitura realiza “ações a fim de reduzir a sensação térmica na cidade” e que a implementação dos BRTs é acompanhada pela reurbanização das regiões em torno e do plantio de árvores."

Secretaria Municipal de Obras

Fonte: http://extra.globo.com/noticias/rio/verao/obr...s-15065781.html

O entorno da Transcarioca, via que garante a mobilidade dos BRT, teve outros tipos de mobilidade totalmente comprometida. Esta ideia não se opõe ao BRT, mas exige que a noticiada urbanização do entorno ocorra e que volte a permitir o deslocamento à pé em alguns bairros.

Ramos ficou completamente comprometido: Calçadas com menos de 80 cm e sem vegetação para conforto ambiental inclusive nas poucas praças que sobraram, enormes terrenos frutos de desapropriação inutilizados, sem calçamento ou uso, como a proposta UOP da Zona da Leopoldina, que garantiria a inexistência de camelôs, carros e lixo sobre as calçadas que sobraram, e as passarelas que de provisórias ficaram definitivas, mesmo com risco de morte dos cidadãos cariocas.

Todo este comprometimento da qualidade de vida do bairro foi sob ciência do relatório de impacto ambiental, que neste caso, de nada serviu:

"Os bairros estudados são marcados por uma maioria de áreas alteradas e urbanizadas. O bairro de Ramos é o mais urbanizado, seguido por Olaria e Penha.

...

Segundo dados do Instituto Pereira Passos, os bairros estudados localizam-se na AP- 3, que apresenta áreas destinadas ao lazer muito inferior as áreas da AP-2, onde se encontram os bairros da Zona Sul. A AP-3 tem no total de 1.306.486 metros quadrados de área de lazer, distribuídas em praças, parques, jardins e outros. Cerca de 88 539 494 metros quadrados da AP-3 são destinados a áreas de parque. Todavia, não há nenhum parque nos bairros abrangidos pelo trecho/etapa 02 da Transcarioca. Na área estudada, somente são encontradas áreas de praças, jardins, entre outros.

...

As praças, segundo os dados do IPP, são o tipo de espaço público mais comum nos bairros estudados, nas quais a população pode encontrar brinquedos infantis, quadras de esporte, bem como realizar atividades de comunhão social. A ausência de parques em todos os bairros e a ausência de jardins em Ramos, Olaria e Penha - bairros densamente habitados - nos revela que as praças são os espaços fornecidos pelo Estado para a socialização. No entanto, essas ainda se mostram em quantidade insuficiente, considerando as necessidades locais."

 

Secretaria Municipal de Obras Coordenadoria Geral de Obras 5ª Gerência de Obras

Fonte: http://www.poiesiseditora.com.br/sites/g/file...tapa2_.2011.pdf

Esta ideia nada tem a ver com a proposta de AEIU da Transcarioca, pois esta trata de ocupação e obras privadas do entorno da mesma. Esta ideia trata exclusivamente do histórico abandono do poder publico municipal dos bairros da zona norte em sua mais recente manifestação, que na pressa de entregar o BRT para a Copa esqueceu que o objetivo do legado é para a população carioca, não apenas colocando ônibus no corredor, mas cuidando do que o corredor conecta: pessoas entre bairros.

 

editado em mar 19, 2015 por Jaime Colorado

Ágora Rio Apr 2, 2015

This idea has been advanced to the next phase

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