Automoção do sistema de ônibus urbanos: tecnologia a serviço das pessoas

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Quero Metrô
Quero Metrô | Apr 2, 2015 | em Mobilidade Urbana

Há uma grande polêmica no sistema de pagamento dos ônibus na cidade. A maior delas diz respeito a dupla função dos motoristas, que são os responsáveis por receber e dar troco em muitos veículos. O Código Nacional de Trânsito é bem claro sobre esta conduta, em seu Capítulo XV, (das infrações) artigo 169:

 

"Dirigir sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à segurança:

Infração – leve; Penalidade – multa."

 

Sim, apesar de muitos desconhecerem, a dupla função em ônibus transitando é uma infração de trânsito. E por um motivo simples: há um risco iminente de acidentes quando o motorista retira uma ou as duas mãos do volante para receber dinheiro, colocar no caixa e pensar no valor do troco. Não há nem estatísticas quanto ao número de acidentes causados simplesmente por ser uma norma que não é fiscalizada no país. Porém, é fato que há risco a segurança. Já imaginou, se em um trem o maquinista recolhesse a passagem de cada um? Impensável! Então, por que nos ônibus é assim?

Precisamos de algo mais rápido e eficiente. Uma máquina! Máquinas automáticas para pagamento existem nos sistemas de transporte de todo mundo. Aqui no Brasil mesmo, tais máquinas estão por estações de trem e metrô vendendo refrigerantes, salgadinhos e lanches (uma versão bem mais complexa que a necessária para recolher o valor da tarifa e dar o troco).

Na Europa e nos EUA não existem cobradores na maioria dos ônibus. E os motoristas só são responsáveis por dirigir os veículos. Uma pessoa recebendo e calculando os valores torna o embarque lento, aumentando o tempo de viagem. Contudo, não se pode abandonar o cobrador de uma hora pra outra, já que ele tem outras funções: auxiliar o motorista e dar informações aos passageiros. O sistema de transporte na cidade é extremamente bagunçado, desorganizado e complexo. É quase impossível alguém saber onde saltar do veículo quando utiliza a linha pela primeira vez. O cobrador poderia ter tanto essa função de guia para os passageiros mais desorientados, quanto um agente de segurança nos veículos de grande porte, como os ônibus convencionais e articulados (em micro-ônibus seria dispensável), para garantir o pagamento das passagens e o respeito as normas de conduta estabelecidas. Um uniforme chamativo é essencial para essa função, tornando marcas do sistema carioca, mostrando uma identidade visual da cidade para turistas e usuários diários. Logo poderiam ganhar apelidos, como os agentes de segurança da SuperVia, que por terem roupas em cores fluorescentes, são chamados de "vaga-lumes" por parte dos usuários de maneira carinhosa.

Além disso, todo o tipo de tecnologia possível deve ser englobada. Os veículos precisam ser equipados com mapas, indicando o itinerário, as principais vias e os pontos de paradas que podem ser entendidos intuitivamente ou com auxílio dos novos cobradores. As paradas devem ter nomes, como adotados no BRS. Nem precisa ser complexo, algo do tipo "R. Dias da Cruz nº 52" ou "Av. Maracanã – Shopping Tijuca" já é mais do que suficiente. É essencial que os veículos também precisam de um sistema de som anunciando as paradas e as vias onde o ônibus circula, para o Centro de Operações (da Prefeitura ou da própria linha) emitir informes e para o motorista se comunicar com os passageiros, informando possíveis problemas. É fundamental que a vista dos veículos seja padronizada: exibindo de maneira fixa (sem LEDs animados) na vista principal, em branco e com intensidade luminosa adequada, o número da linha e destino; somente em uma vista secundária, com fonte menor que a vista principal, que deve ser exibido por onde o veículo passa, o corredor que ele pertence e seu ponto de origem. Com tudo isso, pode-se até sonhar com o fim das catracas, como no futuro VLT do Centro do Rio, otimizando o embarque de passageiros.

Resumo da proposta:

Máquinas automáticas para receber as passagens: fareboxes, aceitando Rio Card, dinheiro, moedas, pagamento via NFC (celulares) e cartões pré pago;

Ampla rede de máquinas de recarga automática (ATM) para carregar Rio Card: aceitando dinheiro, cartões de débito e crédito espalhadas pela cidade (em todo terminal de ônibus, rodoviária, estação de trem, metrô, shoppings, repartições públicas...);

Mudança de paradigma da função dos cobradores: dentro de todos os veículos convencionais, rodoviários e articulados, serviriam para guiar usuários desorientados e garantir a segurança e integridade dos passageiros e do motorista, anunciando problemas a um sistema integrado de controle;

Mapa com o itinerário do ônibus no interior dos veículos: em locais visíveis, espalhados por todo o veículo, indicando as principais vias por onde a linha circula e os pontos principais;

Pontos de ônibus principais com nomes: como Rua Dias da Cruz nº 52 e Av. Maracanã – Shopping Tijuca;

Sistema de som: para anunciar as paradas principais, as vias por onde está trafegando e informes sobre a linha, o sistema de transporte e informes da cidade;

Vista principal padronizada: informação fixa do número da linha e destino do ônibus, em LED branco e com luminosidade adequada (a ser determinada por estudo).

O "Quero Metrô" é um projeto participativo e essa proposta foi organizada por Rodrigo Sampaio. Texto revisado e proposta incrementada por Pedro Geaquinto.

editado em abr 4, 2015 por Quero Metrô

José Henrique Melman Apr 2, 2015

Não sei... Em Londres e Paris já comprei passagens diretamente dos motoristas... Acredito que não haja problema, desde que a compra com o motorista seja algo residual. Melhor seria se todos tivesses passes diários/mensais/anuais ( https://desafioagorario.crowdicity.com/post/84235 ) e que apenas validassem no ônibus para controle de transportes realizados. Assim, a população que usa o transporte todo dia basicamente entraria no ônibus e validaria o passe, comprariam apenas os usuários eventuais ou turistas (que também poderiam comprar passes antecipadamente)

A achei a ideia confusa e está misturando conceitos: pagamento, características dos ônibus ( https://desafioagorario.crowdicity.com/post/84237 ), recarga de RioCard ( https://desafioagorario.crowdicity.com/post/90959 )...

Rodrigo Sampaio Apr 2, 2015

O problema principal é a burocracia por traz do Rio Card. Uma criança menor de 12 anos, por exemplo, não pode adquirir um cartão! Trabalhadores que recebem VT não podem ter outro cartão atrelado ao seu CPF nem recarregar seu VT. Entre outros problemas... Além disso, há a falta de controle! Não há emissão de nenhum comprovante do pagamento de passagens, o que acabaria com as máquinas (pois haveria um recibo). Fora casos onde os créditos do cartão acabaram e a pessoa só tem 5 ou 10 reais em mãos (a recarga mínima é de 20 reais nos ATM). 

Além disso, só abolir a função do cobrador gerará mais transtornos que ganhos para os passageiros. Como citado, os trocadores fornecem informações aos passageiros (e o motorista deve se limitar a dirigir o veículo), além de auxiliar na operação de embarque e desembarque (especialmente de deficientes, evitando que o motorista tenha que sair do veículo para o embarque de um cadeirante). Para ser possível a extinção da função, outras medidas são necessárias, como a padronização de certas características dos ônibus e maior acesso a bilhetagem via cartão pré pago. Uma medida não pode vir sem a outra.

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